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Pais que gostam demais

por centrosermais, em 28.09.14

“Não consigo”. Revira os olhos, sopra, inventa várias desculpas para não fazer o que lhe é pedido. O ano ainda agora começou, mas os desafios já lhe parecem ameaçadores. Olho-a e percebo que não está preparada para as exigências que lhe são feitas. Está a desistir ainda antes de tentar.

 

Os alunos como a R. não são raros e fazem-nos pensar sobre o papel enquanto pai e mãe. Conhecemos muitos “super-pais”. Estes pais têm super poderes. São extremamente ativos na educação dos seus filhos. Como quaisquer pais, sofrem com a possibilidade dos seus filhos atravessarem dificuldades e, sentindo-se muitas vezes culpados, movem o mundo para aliviar todas as frustrações próprias do crescimento e amadurecimento das crianças. Esquecem-se muitas vezes que estão a criar um futuro adulto num mundo que se caracteriza pela dificuldade e necessidade constante de adaptação.

 

Queremos criar os nossos filhos num ambiente seguro, feliz e repleto de momentos que assegurem uma auto-estima positiva e, para isso, convencemo-nos muitas vezes que a melhor forma de o conseguir é evitando todas as situações que lhes possam trazer frustração. Acreditamos que, se forem felizes a cada momento, mais felizes serão no futuro. Assim, arrumamos-lhes constantemente os brinquedos, damos-lhes comida à boca, fazemos os seus trabalhos escolares, ignorando sempre que eliminar as dificuldades desde cedo, significa apenas adiá-las.

Estudos da Universidade de Mary Washington comprovam que as crianças cujos pais interferem demasiado na sua vida têm mais dificuldade em estabelecer relações sociais, tendem a sentir-se mais deprimidos e menos capazes de gerir a sua vida, sentindo-se menos. E porquê? Porque a maturidade não acontece de forma espontânea e automática – a maturidade desenvolve-se com a experiência a ultrapassar dificuldades, por todos os mecanismos que se aprendem nesse processo.

 

Como ajudar então na felicidade dos filhos sem privá-los das necessárias e saudáveis “lutas” diárias?

  1. Seja próxima(o) dos seus filhos: embora nem sempre pareça, em especial nalgumas idades, todas as crianças esperam ter uma relação de confiança e proximidade com os adultos que o rodeiam;
  2. Acredite nas capacidades do seu filho e transmita-lhe essa confiança: os seus filhos precisam de ler nos seus olhos que acreditam inegavelmente que será capaz;
  3. Ajude-os a compreender a importância de ter que lutar pelos seus objetivos;
  4. Elimine da vossa vida familiar o medo de falhar: incuta nos seus filhos que devem esgotar todas as hipóteses antes de pensar em desistir;
  5. Desafie-os com metas cada vez mais sérias (atendendo às suas características enquanto pessoa): é uma forma de lhe mostrar que acredita realmente nas suas capacidades.

Lembre-se que desabituar os seus filhos dos ganhos imediatos desenvolverá neles a sua capacidade de compromisso para com os seus objetivos. Esta é a melhor forma de desenvolverem a capacidade de se manterem auto-motivados, o comportamento-chave para alcançarem tudo aquilo a que se propõem.

 

Claudia Pedro

Psicóloga

www.centrosermais.com

 

 

 

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1 comentário

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De Vítor Hugo a 11.11.2014 às 15:38

Parabéns pelo texto.

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