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Pais que protegem demais

por centrosermais, em 06.07.14

 

É uma ideia de senso comum que negligenciar uma criança é prejudicial ao seu desenvolvimento. Contudo, o que se começa a compreender é que a proteção em excesso pode ser tanto ou mais perigosa quanto a negligência.

 

A comunidade de psicólogos compreendeu que uma criança cujos pais não sejam suficientemente atentos pode desenvolver algumas problemáticas emocionais, mas tende a readaptar-se para se proteger e manter equilibrada. Já as crianças cujos pais são excessivamente protetores podem acabar por não conseguir desenvolver-se adequadamente de todo.

 

A questão do bullying

Dieter Wolke, Ph. D, Professor de Psicologia do desenvolvimento da Universidade de Warwick no Reino Unido e autor deste estudo, dá-nos um exemplo prático das consequências: "A sobreproteção pode aumentar o risco das crianças se tornarem vítimas de bullying". De acordo com esta revisão de 70 estudos que englobam 200 mil crianças, pais que protegem os seus filhos de experiências negativas tornam-nos mais vulneráveis. Pais atentos e que acompanham a vida diária dos seus filhos previnem o bullying. Pais que protegem demasiado os seus filhos, aumentam os riscos destes se tornarem alvos mais fáceis.

 

O objetivo dos pais, segundo o Dr. Wolke, é o de tornar as crianças competentes, efetivas e autónomas. As crianças precisam de lidar com doses controladas de stress e de experiências negativas para que possa desenvolver estratégias para lidar futuramente com situações de perigo/ desgaste mais acentuados.

 

5 aspetos a considerar (para pais e professores):

 

1. Ensine às crianças formas de resolver os seus problemas;

 

2. Mostre-lhes a importância de saber gerir os conflitos com os outros, recorrendo à lógica, à empatia e à sua capacidade de dialogar;

 

3. Ajude-os a desenvolver a inteligência emocional - a IE permite-nos tornar-nos mais auto-conscientes, conseguir gerir as nossas próprias emoções, ser socialmente consciente e gerir a relação com os outros. A IE desenvolve a resiliência;

 

4. Ensine-os a definir e a gerir expetativas;

 

5. Não faça por eles. Ensine-os a fazer por si próprios.

 

 Agora é convosco, pais e professores, o que acrescentariam a esta lista?

 

 

Claudia Pedro

Psicóloga

www.centrosermais.com

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