Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




   São muitos os desafios e as situações delicadas com que os familiares de crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE), e muito em particular os pais, se deparam comparativamente a outros pais de crianças ditas “normais”.

 

   Quando numa família nasce uma criança com uma determinada problemática – principalmente quando esta é considerada de alta-intensidade – as interações intra-familiares produzem instintivamente sentimentos de muita ansiedade e decepção. Estes sentimentos, conjuntamente com a elevada dedicação a que a criança obriga nestas situações, conduzem as relações familiares a uma maior união ou por outro lado à separação.

 

   Para a maioria dos pais o nascimento de um filho é algo de muito grandioso e como tal também a maioria dos pais idealiza o seu “mais que tudo” como um ser perfeito. Quando assim não é, podemos dizer que existem dois tipos de pais: os que conseguem aceitar e mostram ser bem sucedidos criando condições de adaptação tanto para eles como para a criança; e os que, infelizmente, não conseguindo aceitar a realidade sentem-se incapacitados para lidar com o desafio que uma criança deficiente simboliza para a família.

 

   Aquando do diagnóstico de uma determinada problemática muitas podem ser as reações. O choque inicial é sem dúvida o mais natural, seguindo-se, por norma, a recusa e a incerteza terminando na dor. A dificuldade, por parte dos pais, em admitir a problemática da criança pode fazer com que se determinem na mesma objetivos, muitas vezes inatingíveis dada a natureza do problema, exercendo na criança uma forte pressão. Na maioria das vezes, só mais tarde, quando a criança é já mais velha e se relaciona com outros jovens da sua idade, é que os pais, se vêem confrontados com a dura realidade e se apercebem das verdadeiras dificuldades dos seus filhos.

 

   Para os profissionais é muito difícil “chegar” a estes pais que se recusam a aceitar as dificuldades do seu filho(a) e em admitir que tem NEE. Daí que seja importante que os educadores estejam sensibilizados também para os problemas dos pais e que trabalhem no sentido de lhes fazer ver que estão “com eles”, que se preocupam em ajudar a criança a desenvolver as suas competências estabelecendo em conjunto, por exemplo, metas nas suas aprendizagens tendo em conta as suas capacidades. No entanto, quando lidamos com crianças com NEE há uma natural propensão à proteção excessiva, tanto por parte dos pais como dos próprios professores, sentindo a necessidade de os proteger, de os defender, de evitar ao máximo o contacto com o fracasso. Ora, perante este cenário, a criança com NEE fica impossibilitada de conseguir dar respostas a problemas do quotidiano, de conseguir tomar decisões por si, criando, assim, barreiras ao desenvolvimento da sua própria independência social e emocional.

 

   Posto isto, e para que a criança cresça num ambiente social e emocional saudável, é necessário que pais e educadores exerçam uma proteção menos ativa, pois estarão desta forma a contribuir para que a criança desenvolva a sua autonomia, a sua auto-confiança, tornando-se uma criança mais segura de si própria. Tudo isto é possível quando à sua volta é criado um ambiente positivo no sentido de a ajudar a conseguir enfrentar e superar os desafios com que diariamente se debate.

 

   Tendo em conta que todos nós somos seres individuais e únicos com características e capacidades que nos distinguem uns dos outros, é imprescindível que pais e educadores “vejam” e destaquem, sempre que for possível, as capacidades, as qualidades, as particularidades da sua criança com NEE, pois são elas que a tornam um SER ÚNICO.

 

Adaptado por Márcia Fidalgo

 www.centrosermais.com | www.facebook.com/centrosermais

 

Autoria e outros dados (tags, etc)







O Ser Mais

foto do autor


logopumpkin