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Na minha profissão deparo-me com todo o tipo de crianças – bem educadas, menos bem educadas, insolentes, humildes, atenciosos, arrogantes… –, crianças essas que muitas vezes espelham a educação que têm em casa. A Educação deve começar sempre na família que é o pilar, a base de sustentação para a vida. Durante a minha infância, tanto para mim como para o meu irmão, sempre foi claro o que era e não era permitido. Os meus pais sempre tiveram a preocupação de nos ensinar que para tudo na vida há limites, mas que esses limites não são obstáculos à liberdade, são antes os caminhos que devíamos abraçar afim de podermos fazer as nossas escolhas – escolher entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira…

 

Estabelecer limites é de facto importante, na medida em que ajuda a criança a entender que há coisas que pode fazer e outras que não pode, perceber o que lhe é permitido (de acordo com a idade). É neste sentido que vos apresentamos este artigo acerca da importância do “Não”. Podemos começar por colocar a questão: devemos ou não explicar o “não”?; devemos ou não entrar em detalhes?. Ora bem, segundo alguns autores, depende das idades: focando-nos nos primeiros anos de vida, fase em que não há lugar a grandes explicações, os “Nãos” devem ser claros e precisos sempre que a criança se encontrar em situação de perigo – perto de umas escadas, à beira de uma piscina, perto de tomadas ou do fogão, próximo de detergentes ou medicamentos… Temos de ter presente que o “não” pode tornar-se um instrumento essencial na educação para a segurança.

 

Hoje em dia temos famílias que parecem amedrontadas perante tal palavra, muitas vezes ao mesmo tempo que dizem “não” deixam transparecer quase que um pedido de desculpas, sentem-se mal por estarem a ser mais ríspidas com a criança. É importante que os pais entendam que para ser um bom educador não é necessário ser-se ditador, basta mostrar-se seguro de si próprio aquando da repreensão. Lembro-me que à minha mãe bastava-lhe “abrir os olhos”, que tanto eu como o meu irmão já sabíamos o que ela queria dizer. As crianças sentem-se protegidas e mais seguras quando sentem que o progenitor é um adulto também ele firme e confiante no que faz ou diz. Um “não” seguro de si e na altura certa, é um “sim” no futuro da vida daquela criança.

 

Todavia, como tudo o que é em excesso não faz bem, o “não” de forma aleatória também não é exceção. Segundo a pediatra Ana Rubio, há algumas situações que devemos ter especial atenção:

            - evitar repetir com frequência o “não faças isso”; “não saltes”; “não corras”… há uma tendência para que as crianças se tornem indiferentes à palavra “não”;

            - reservar o “não” para assuntos realmente sérios e válidos: principalmente situações que ponham em risco a segurança da criança.

            - evitar contradições, ou seja, ao mesmo tempo que se diz “não se bate” estar a dar-lhe uma palmada.

            - evitar recorrer ao “não” e sorrir ao mesmo tempo, por mais engraçada que seja a situação, é importante manter uma postura séria e firme.

           

Lembremo-nos que quanto educadores e formadores estamos ajudar a criança a encontrar o seu caminho e que todos os “nãos” da sua vida se transformarão num futuro mais saudável.

Márcia Fidalgo

Professora de 1º Ciclo e Educação Especial

 

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